5.7.08

O GIGANTE LÁ DE CASA

Papai sempre foi pra mim um gigante. Eu lembro que olhava pra ele lá de baixo e via suas pernas longas. Muito compridas. Pareciam que iam para o céu. E lá ficava sua cabeça, quase encostando no teto. Acho que se ele esticasse o braço, só um pouquinho, encostava na lua.Eu achava engraçado, aquela cabeça lá em cima. A cabeça do papai. Ele dizia que um dia eu também seria um gigante. Um gigante, não! Uma giganta! Uma mulher com pernas tão compridas quanto as dele. Um dia eu cheguei a sonhar com isso. Que eu era uma mulher gigante, com pernas tão compridas que não caberiam na minha cama. No sonho eu saí para a rua, no meio da noite. Era uma noite cheia de estrelas. Eu gostava de ver as estrelas. Meu pai disse que algumas não existiam mais. Ha,ha,ha! Só meu pai mesmo. Acho que às vezes ele mente, ou quer me enganar. Como podem não existirem se ainda estão lá, brilhando daquele jeito? Bom, daí eu saí para a rua no meio da noite e vi tudo lá de cima. Foi legal! Era diferente e gostoso ser gigante. Então eu lembrei, mesmo sonhando, que poderia tocar na lua. E não deu outra, eu estiquei meu braço que era tão comprido como uma mangueira e toquei na lua. Me lembro que ela era gelada igual a um picolé. Pensei até em pegar um pedacinho dela para mostrar pro papai. Acho que ele ficaria feliz, mas bem na hora acabei acordando e do meu lado estava o gigante me olhando.

Um comentário:

Fabiana disse...

AMO esse texto...!
e quem escreveu, tb!!!(rs)